Guaíba
FC – um clube Guaibense até no nome
Na segunda metade dos anos
40, enquanto o mundo pós II Guerra Mundial
se restabelecia, a cidade de Guaíba vivia
tempos de pujança econômica.
O ano era 1946, Otero Paiva Guimarães era
o Prefeito Municipal e o Hospital Nossa Senhora
do Livramento era fundado.
No âmbito cultural o Cine Teatro Gomes Jardim
era uma atração à parte na
cidade e importantes indústrias aqui já
estavam estabelecidas como a Cia. Fábrica
de Papel Papelão Pedras Brancas e a Cia.
Industrial de Celulose e Papel Guaíba (Celupa).
No esporte Guaíba também estava
vivendo um novo momento, onde novos clubes estavam
surgindo, alguns para marcar época, outros
para se eternizarem.
Em 25 de dezembro de 1946, alguns remanescentes
do São Geraldo - clube extinto um ano antes
- reuniram-se para fundar um clube e fazer frente
ao SC Itapuí, então o mais velho
clube da cidade e o clube das elites.
Estava nascendo o Guaíba F.C., o tricolor
do ermo.
O Azul, preto e branco originais na camisa buscavam
contrastar com o rubro negro daquele que seria
seu maior rival o SC Itapuí, ficando o
Guaíba conhecido mais tarde apenas como
alvi-azul, apesar de estatutariamente continuar
sendo tricolor.
Alguns dos fundadores eram vinculados ao Saladeiro
São Geraldo - Frederico Link S/A –
e lá haviam jogado no extinto São
Geraldo, que havia sucedido os também extintos
União e Flor do Ermo respectivamente.
Assim como o São Geraldo o Guaíba
utilizou durante muitos anos um campo cedido pelo
Sr. Arlindo Stringuini localizado na Rua São
Geraldo, conhecido por Campo das Capororocas em
virtude de lá existirem muitas capororocas
(árvores nativas). Neste campo o Guaíba
jogou até 1966.
No esporte o Guaíba logo começou
a se destacar no cenário municipal e estadual.
Em 1949 conquistou o primeiro título municipal,
feito este repetido por outras tantas vezes, a
destacar o Penta-Campeonato da Cidade, conquistado
de 1967 a 1971.
Ganhando cada vez mais experiência e adeptos,
em 1954 o Guaíba chegou a fase final do
estadual de amadores, após ter conquistado
o título de Campeão Estadual –
Região Sul. Em um triangular final contra
o Internacional de São Borja e o Jaú
de Santo Antônio da Patrulha o Guaíba
só foi entregar o título estadual
no desempate, já que como não haviam
critérios de desempate um novo turno foi
realizado. O jovem Guaíba ficava assim
com a 3ª colocação no Estadual
de Amadores de 1954.
Em 15 de maio de 1966, depois de ter jogado durante
20 anos no Campo das Capororocas o Guaíba
inaugurava o seu próprio estádio,
concretizando assim um sonho dos seus fundadores.
Nesta data era fundado o novo estádio.
Em uma grande festividade ao longo do dia que
contou com as presenças do São Jose
de Porto Alegre, Celupa, Nacional da Barra do
Ribeiro, Cauduro A. Clube e o próprio Guaíba,
finalmente concretizava-se mais um sonho dos abnegados
torcedores e dirigentes do clube.
Anos mais tarde o estádio foi batizado
de Estádio Breno Guimarães, homenagem
àquele que muito lutou pela realização
deste objetivo.
Breno Guimarães que havia sido presidente
do clube no biênio 60/61, sendo neste último
ano considerado Operário Padrão
Brasileiro, na época sendo operário
da A.J. Renner, ocupou quase todos os cargos diretivos
do Guaíba FC. Em 1976, após anos
de dedicação ao Guaíba FC,
a cidade e ao Legislativo Municipal onde era o
atual presidente da Câmara de Vereadores,
Breno veio a falece em virtude de um acidente
automobilístico.
Nessa época, grandes clássicos marcaram
a trajetória do Guaíba, confrontos
esses contra o São Paulo, Celupa e Itapuí
os grandes clubes do município por muitos
anos. A destacar um clássico ganho pelo
Guaíba por 5x1 frente ao Itapuí
em 1949 no campo do adversário, tendo na
época um público de mais de duas
mil pessoas.
Chegado o ano de 1971 o Guaíba voltava
a almejar o título Estadual. Como uma equipe
formada por muito bons jogadores, em uma bela
campanha o Guaíba acabou sagrando-se Vice-Campeão
Estadual de Amadores, divisão especial.
As finais com mais 6 equipes foram disputadas
em Passo Fundo, RS. Não ficamos com o título
em definitivo, mas a participação
nas finais rendeu ao clube experiência e
reconhecimento.
Em 1991 na presidência de João Fernando
Munhoz foi inaugurado o sistema de iluminação,
que proporcionou a disputa de jogos noturnos.
Para marcar a inauguração dos refletores
novamente um grande torneio marcou o acontecimento.
Os anos foram seguindo e o Guaíba sem abandonar
suas raízes à partir do ano 2000
com uma nova política administrativa sob
a presidência de Luiz Mário Green,
tomou um novo rumo. As finanças do clube
aos poucos foram equilibradas e perspectivas de
sonhos mais altos aos poucos foram tornando-se
possíveis.
Em 2008, com uma bela campanha o Guaíba
acabou sagrando-se Vice-Campeão da Copa
Metropolitana (antiga Copa Paquetá), torneio
que contou com a participação de
32 equipes de Porto Alegre e grande Porto Alegre.
No segundo semestre do mesmo após 19 anos
o clube voltou a disputar o campeonato estadual
amador.
Com uma campanha razoável a equipe terminou
em terceiro lugar em sua chave, o que não
foi suficiente para a classificação
à próxima fase.
Neste momento não podemos esquecer aqueles
que escreveram a história do Guaíba
dentro de campo, jogadores que se destacaram vestindo
a camisa do clube, destacando-se Gato preto, Bidê,
Cláudio Figueiró, Ari Borba, Corvinho,
Bunha, Biguá, Ivo Medeiros, Osvaldo (Cavalão),
Maninho e os Montemuros.
Contudo este novo momento do Guaíba ressalta
o amadurecimento do clube e o potencial existente
na busca de novos objetivos.
Para o futuro o clube busca investimento para
a readequação do Estádio
Breno Guimarães e consequentemente participação
no Gauchão da 2ª Divisão.
São sonhos altos, sonhos talvez um pouco
tanto visionários, mas essa era a visão
de seus fundadores, terem um clube forte e competitivo,
que aliado aos novos tempos à determinação
da diretoria que muito se entrega a causa do clube
esse sonho possa se tornar possível e termos
em breve o Guaíba entre os maiores clubes
profissionais do futebol Gaúcho.